Glossário tunguiano

Este glossário reúne conceitos e termos recorrentes na obra de Tunga, os quais abrangem desde objetos e materiais até noções estruturantes do seu pensamento, que revelam o seu vocabulário e a singularidade de sua produção artística.

Balangandã
Onomatopeia derivada de “balançar”, referente a objetos pendurados que produzem som. Originalmente penduricalhos de metal de origem africana, usados como adornos ou amuletos. Na obra de Tunga, remetem a objetos suspensos, pendentes e agregados.

 Bijoux
Acessórios de adorno produzidos com materiais simples. Na obra de Tunga, são feitas com ferro, bronze ou resina em formato de ossos torcidos que lembram anéis.

Dedal
Proteção usada nos dedos durante a costura como apoio para a agulha. Na obra de Tunga, aparece ao lado de ímãs, placas de ferro, alfinetes e fio de cobre. Também há versões ampliadas em cerâmica e gesso.

Energia de conjunção
Conceito de Tunga definido como a conjunção de heterogêneos, o que é criado a partir do encontro de duas coisas que não têm relação entre si. Segundo ele, refere-se à energia do amor (Eros) e é também por ele chamada de “cola poética”. Consiste em ligar coisas diversas para criar sentidos, tendo como resultado o desconhecido.

Instauração
Ato de instaurar; dar início a um fenômeno, refere-se ao processo ou ao resultado de criar ou fazer surgir algo. Segundo Tunga, em sua obra, implica um modo de fazer poesia sem ensaio, entendido como um “método” de provocar a palavra poética. O termo é utilizado pelo artista em oposição à ideia de desempenho associada à performance. Nesse contexto, envolve a participação dos presentes, constituindo-se como um processo coletivo. O campo da instauração mantém também uma afinidade com o campo da experiência real de Hélio Oiticica (1937–1980) e Lygia Clark (1920–1988).

Mondrongo
Formas amorfas e disformes. Na obra de Tunga foram criados em pares. Um tipo possui concavidades, fazendo referência à fêmea, e é chamado de “bela”; o outro possui protuberâncias, fazendo referência ao macho, e é chamado de “fera”.

Morfologia
Estudo das formas e da aparência externa da matéria, aplicado em áreas como biologia, linguagem e matemática. Na obra de Tunga, aparece em esculturas curvilíneas que exploram correspondências dentro do corpo humano.

Morrote
Pequeno morro ou colina. Na obra de Tunga, são elementos suspensos como vasos de terracota ou gesso, moldados como dedos e, em certos casos, preenchidos com cristais de rocha, pérolas e esponjas.

Palíndromo
Palavra, número ou frase que pode ser lido da esquerda para a direita e vice-versa mantendo o mesmo significado. Na obra de Tunga, relaciona-se a estruturas topológicas que preservam propriedades mesmo sob inversão.

Phanógrafo
Neologismo de Tunga derivado do grego phanos (clareza revelada pela luz). Configura-se como caixa de madeira amarelo-claro com painéis laterais, contendo garrafa de vidro com líquido amarelo e objetos como funis, tipitis e martelos.

Tacape
Do tupi takapé, clava de madeira com extremidade mais grossa, usada em caça, combate ou rituais. Na obra de Tunga, é feito de ímãs agrupados, funcionando como contraponto masculino à trança feminina.

Tipiti
Artefato indígena de bambu ou palha trançada em formato de tubo com duas aberturas, usado para prensar mandioca. Na obra de Tunga, é um cilindro de tranças e nós que topologicamente se aproxima de um bitoro distendido.

Toro
Espaço topológico gerado pela rotação de um círculo em torno de um eixo coplanar sem contato, resultando em forma de anel ou cilindro fechado. Na obra de Tunga, representa continuidade e coesão ininterrupta, definindo espaço auto-contido e sem limites.