1960 - 1965

O pai onipresente, o jornalista e escritor Gerardo de Mello Mourão, foi crucial na formação do filho. Ao lançar seu primeiro livro, Valete de Espadas (1960), na livraria Da Vinci, no Rio de Janeiro, Gerardo, que falava oito línguas, abriu uma conta no local para Tunga, na época com 8 anos: “Eu e meu irmão sentávamos no chão para ler”.

Fonte: Fernandes, Daniela “Olhar aguçado”, Trip, novembro de 2010.

Léa, Gonçalo, Tunga e Gerardo.

Tunga com uniforme escolar.

“[…] fui criado em um meio onde a arte tinha uma vigência, uma importância muito grande. Meu avô era um grande colecionador de arte moderna, de arte barroca. Meu pai é um escritor, um poeta, com um círculo de amizades internacionais, tinha um contato muito grande já com a produção internacional de arte contemporânea, e, sobretudo, com gente de arquitetura. – Tunga”

Fonte: Torres, Fernanda; Telles, Martha. O papel da crítica na formação de um pensamento contemporâneo de arte no Brasil na década de 1970. Rio de Janeiro: Nau, 2023.

De 1964 a 1965, a família passa as férias no Chile, onde visita com frequência Viña del Mar.

1966-1967

Por conta da ditadura militar no Brasil, Tunga e sua família se mudam temporariamente para o Chile, onde seu pai opta pelo autoexílio.

Carteira escolar de Tunga de 1966. Colegio San Ignacio, Santiago, Chile.

Tunga estuda no Colegio San Ignacio, em Santiago, Chile.

Tunga e o irmão Gonçalo em La Serena, Chile, 1966.

“Foi uma época maravilhosa, porque no exílio ele [Gerardo, pai de Tunga] esteve envolvido em uma universidade no Chile que é a católica de arquitetura. E era uma universidade muito particular que foi fundada por poetas e arquitetos, eles estabeleceram que a arquitetura tinha que passar pela poesia. Diferente da maior parte da arquitetura que não é. E eu vivi muito intensamente esse tipo de coisa poética que a gente viveu no Chile naquele momento. – Tunga”

Fonte: Entrevista One on One – Tunga. Vídeo. Al Jazeera English, 2010.

No Chile, o pai de Tunga leciona na Universidade Católica de Valparaíso, onde, nos anos 1960, esteve envolvido com professores que fundaram a Ciudad Abierta, um campus experimental da Escola de Arquitetura de Valparaíso. Tunga convive por dois anos com os alunos do pai, que leciona nessa escola não ortodoxa.

Amereida, livro em forma de poesia sobre a didática pedagógica da Escola de Arquitetura de Valparaíso. Edição da biblioteca pessoal de Tunga.
Fonte: Amereida. Valparaíso: Taller de Investigaciones Gráficas, 1967.

Sem título, 1967.
Coleção: Instituto Inhotim
Foto: Jaime Acioli

1968

De volta ao Brasil, Tunga retoma os estudos no Colégio Padre Antônio Vieira, onde se forma em 1968.

Carteira escolar de Tunga. Colégio Padre Antônio Vieira, 1968.

Aos 15 anos, Tunga aparece pela primeira vez em um jornal ao lado de uma obra sua, junto a Bida, filho de Abdias do Nascimento, amigo de seu pai, Gerardo.

Na matéria, Tunga já demonstra uma visão clara sobre si mesmo: pretendia se formar em arquitetura, sem jamais se desvincular da prática artística.

Fonte: “Arte negra serve de pesquisa para mini-pintores”. Correio da Manhã, 17 de janeiro de 1968.

Na escola, Tunga propõe a criação de um jornal estudantil chamado A Palmeira.

Texto de Tunga sobre o jornal estudantil A Palmeira.

“Eu muito cedo comecei a me interessar por artes, pelo contexto da minha vida, contexto familiar, e frequentar galerias, vernissages, e era a Galeria Relevo, o lugar que eu ia, mas teve um dia que teve uma sessão de um filme, à meia noite, no Rian, e era um filme chamado Ver e ouvir, do Antônio Carlos Fontoura. Era um filme sobre quatro cavaleiros apocalípticos, na minha visão de 15 anos, 16 anos, e que eram o Roberto Magalhães, o Carlos Vergara, o Antônio Dias e o Rubens Gerchman. – Tunga”

Fonte: Tunga. Entrevista concedida a Clara Gerchman e Bernardo Vilhena, entre 2014-2015, para o Projeto “Rubens Gerchman: com a demissão no bolso”.

Sem título, 1968.
Coleção: Instituto Tunga
Foto: Jaime Acioli

Sem título, [1968-1969].
Coleção: Instituto Tunga
Foto: Jaime Acioli

1969

Tunga, Paulo Ramos Filho, Eduardo Prisco Paraíso Ramos e o irmão Gonçalo publicam o primeiro número de 9 NOVE, uma revista de poesia e desenho com cinco edições.

Capas da revista 9 NOVE.
Fonte: Coleção de Waltercio Caldas.
Fotos: Jaime Acioli.

Páginas da revista 9 NOVE.
Fonte: Edição de Waltercio Caldas.
Foto: Jaime Acioli.

Fonte: Silveira, Joel. “OS NOVE”. Diário de Notícias, 1970.

Tunga cursa um ano no Colégio Brasil-América, no Rio de Janeiro.

Carteira e histórico escolar.

Sem título, [1968-1969].
Coleção: Instituto Tunga
Foto: Jaime Acioli

Sem título, [1968-1969].
Coleção: Instituto Tunga
Foto: Jaime Acioli

Denúncias de Volume, 1969.
Coleção: Instituto Tunga
Foto: Jaime Acioli