“Acho que esse estado, através da energia de conjunção, pode se repetir sim no amor como eu ia dizendo, no momento em que dois corpos, e é possível que esses dois corpos formem um corpo dessa mesma natureza, fugaz, e que são o corpo de um e de outro no amor.”
Trecho do vídeo “Masterclass com Tunga”, EAVerão, 2015.
“A gente é separado um do outro mas nem sempre foi assim. Todos nós humanos passamos por um momento da vida onde a gente não tinha corpo, a gente simplesmente não era um corpo, porque todo o esforço do corpo era meio fugaz, meio rápido. Isso chama-se na psicanálise O Estágio do Espelho. Antes desse estágio do espelho, é um estado onde a criança, o bebê, nasceu, e tem uma continuidade com o corpo da mãe, uma continuidade com a alimentação, uma continuidade com o mundo que está em volta, e o próprio corpo dele, ele não se identifica ainda como algo de dois braços, duas pernas, ele não se identifica ainda com a subjetividade, com o eu forte, é apenas uma coisa que está ligada à essa energia de conjunção latente.”
Trecho do vídeo “Masterclass com Tunga”, EAVerão, 2015.
“O uso da energia de conjunção é o uso de uma lógica que nos permite trazer à presença as coisas que não estão presentes. Como? Com a migração de duas coisas que não são tecnicamente para serem migradas. As coisas que aparecem, uma ali, outra aqui, que não tem nada a ver, e você através dessa energia de conjunção as coloca juntas, e surge uma terceira coisa que não está nem na primeira e nem na segunda.”
Trecho do vídeo “Masterclass com Tunga”, EAVerão, 2015.
“Eu acho que a energia de conjunção é, por excelência, a energia do amor. O amor é a energia de conjunção, por excelência, no humano.”
Trecho do vídeo “Encontro com Tunga br”, O Sítio Arte, Educação, Coworking, 2015.
“Eu acho que o trabalho, em geral, ele vai abrindo territórios, abrindo investigações e abrindo questões e muitas vezes o não saber, o não se identificar, ele está na gênese do trabalho e ele é o próprio motor do trabalho para mim mesmo. Eu costumo dizer que eu conheço o trabalho, que eu construo muito rigorosamente as peças, as instalações, as performances, cada detalhe, cada elemento, vou procurar as relações… No momento em que aquilo tá pronto, eu acho que eu sei tudo sobre aquilo e eu percebo que de fato eu não sei. Que esse é o momento do não saber e esse é o momento que a coisa começa a me ensinar, e eu acho que esse é o momento da poesia que nos interessa. A gente pode fazer as leituras, as hermenêuticas, pode compreender as origens, buscar as relações… só que tem um momento que aquilo se impõe como o não saber, se impõe como um enigma, como um mistério e esse é o momento que me interessa. Eu acho que o meu trabalho, o meu fazer, é em direção à essa surpresa, e essa surpresa de ver o mundo como um mistério é o que nos faz não querer largar esse mundo, compreender mais esse mundo.”
Trecho do vídeo “Encontro com Tunga br”, O Sítio Arte, Educação, Coworking, 2015.
“Me interessou, evidentemente, que aquelas tranças eram de chumbo, então há um certo paradoxo entre uma coisa tão delicada, esse movimento do feminino, que se converta em uma matéria tipicamente masculina, dura, imaleável e pesada. E que por outro lado, aquele tacape fosse feito de fragmentos de ímã, que são coisas que não constituem um corpo, ou seja, se ele for usado ele se esfacela inteiramente, ele se mostra mole, digamos. Então, esses paradoxos começam a me interessar e vou construindo um vocabulário. E, pouco a pouco, eu vejo que as coisas se ligam. Que é possível que um tacape tenha como estrutura uma trança. Aí já é um passo além, e nesse passo além já se coloca uma outra questão: como é que dois corpos ocupam o mesmo espaço?”
Trecho do vídeo “Encontro com Tunga br”, O Sítio Arte, Educação, Coworking, 2015.
“Isso lá atrás há doze mil anos, quinze mil anos, quando os hominídeos fazem a revolução paleolítica, que é uma revolução que transformou os homens naquilo que somos hoje, nessa época as primeiras coisas que foram feitas foram tranças. Tranças eram coisas tão misteriosas. É uma coisa tão simples, né, você traduzir, transformar, três em um. Essa ideia de transformar três em um está presente nas cosmologias, está presente no Velho Testamento, está presente na idéia de trindade, e que é um pensamento abstrato, feito por uma pessoa durante quinze mil anos onde o pensamento abstrato ainda não existia. E esse pensamento abstrato do tecer, do fazer três em um, do transformar, criar e recriar a unidade, era uma coisa tipicamente feminina e está na presença das tranças. E é equivalente ao mesmo momento onde o homem vai caçar, e faz um tacape, faz um instrumento que é uma coisa massiva, agressiva, para caçar um animal.”
Trecho do vídeo “Encontro com Tunga br”, O Sítio Arte, Educação, Coworking, 2015.
“Volta e meia, você tem um retorno ao mesmo lugar. Esse retorno é o mesmo lugar e nunca é o mesmo lugar, eu acho que tem uma estrutura temporal que rege, que está na base mesmo dessa forma de pensar. E eu anuncio isso de maneira muito clara com o Toro. Esse Toro pode ser um túnel sem fim, que é uma instalação dos anos 80, ou simplesmente uma peça fundida. O percurso no interior do Toro, ele pode levar ao mesmo lugar ou não, não é um percurso… Normalmente, a gente tem a tendência de dizer que é um círculo e que é a volta, a temporalidade que volta ao começo… Ao invés de se pensar como um círculo, pensa-se um Toro, um Toro é um anel, um pneu de carro….”
Trecho do vídeo “Encontro com Tunga br”, O Sítio Arte, Educação, Coworking, 2015.
“…quando eu faço uma escultura, um desenho, uma performance, o que quer que seja, é um momento de consolidação de um pensamento.”
Trecho do vídeo “O Espaço é do Artista”, 2014.
“Cada sujeito tem a sua temporalidade e a sua construção do tempo e evidentemente há um consenso geral de dizer que vivemos no mesmo tempo, mas não necessariamente a nossa vida interior se dá concomitantemente.”
Trecho do vídeo “O Espaço é do Artista”, 2014.